Dançou balé em minhas lágrimas
A nobre tartaruga marinha.
Escritor e jornalista, Petrônio mantém uma coluna semanal sobre política e cultura em mais de 40 jornais Brasil afora. Tem três livros publicados, sendo um de contos e dois de poemas. Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura "Vivaldi Moreira", da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado.

Os ferros pesados
Prendem o corpo cansado
Com pregos enferrujados pelo tempo.
Vai ser difícil romper a aurora
Levando este corpo torto,
Em frangalhos,
Com os pés descalços,
Sem chinelos.
Vai ser difícil conduzir este peso morto
Até a eternidade.
No entanto,
Banho na belaidade
O coração pequenino,
Que nunca deixou de ser menino,
Buscando apenas um trago de primavera
No canteiro dos sonhos eternos.
Nasce na Serra do Espinhaço,
As contas de minha costela...
Mineral e ancestral,
Com o brilho do ouro
Em cheiro de macelas.
Minha história não é rompante.
É a mansidão no desejo de buscar e encontrar,
De separar e lapidar,
De dar um brilho claro
Ao que era raro
E estava esquecido,
Escondido,
Na inutilidade de ser e de existir.
Eu busco o fundo.
O que se traz por dentro,
Depois do véu do pensamento.