terça-feira, agosto 27, 2013

Ela nadou em minhas retinas... 
Dançou balé em minhas lágrimas 
A nobre tartaruga marinha. 
Nela pesava a leveza do tempo Em seu casco dos casos de histórias passadas Que foram ficando por fora; Não por dentro.

sexta-feira, agosto 03, 2012

E essas palmeiras.


Essas tardes

De minha vida inteira.

O entardecer é triste

Por que ele é o que vai ser.

Viver é mais fácil,

É essa arte de não ser.

De buscar e não encontrar.

Viver é um entardecer danado...

quarta-feira, maio 02, 2012

As araras iam brotando nos mourões de cerca.
Nasciam gritando,
Fazendo aquela algazarra,
Aquela festa de quem é feliz
E vive para festejar a vida.
Tingiam a tarde de um azul leve,
Desses que nos faz voar,
Em doces pensamentos de plumas em poesia.

segunda-feira, abril 09, 2012


Para Aline

A meninazinha via coisas do outro mundo... Em casa, as coisas de um mundo que não era dela. Refugiou-se na casa dos avós. Um dia, quis acampar. Falou para o avô que montou a velha barraca no quintal da casa grande. Ela adorou, era como se a simples barraca se convertesse no mais lindo castelo. Já dinoitinha, entre colchões e colchas, viu, pela fresta da barraca, um mundo encantado, quando um facho de luz de um amarelo vivo lhe dourava a face. Perguntou para o avô: “Vô, o que vem lá?”. O avô se ajoelhou, abriu a fresta com a ponta do dedo, olhou de um lado, de outro, e explicou: “ah, é um exército de abelhas minha filha que está sobrevoando o campo de girassóis!”. “Que lindo...”. Ela arregalou os olhos, quase espantada, levou as mãos ao rosto, quando as abelhas desceram, de uma só vez, por sobre o campo de girassóis. O avô explicou: “Elas agora vão colher o mel, cada uma vai pousar em cada flor de girassol”. Ela sorria... “Vô, o que é aquilo?”. “É que o cheiro dos girassóis com o zum zum zum das abelhas está formando um arco-íris”. “Nossa, que grande! Ele está vindo para cá... Será que vai molhar a gente?”. “Vai sim minha filha. Corre, corre, se esconde, debaixo das cobertas”. A meninazinha, entre risos e medo, deitou-se e se cobriu, tapando a cabeça, para adormecer e amanhecer banhada na mais pura e bela poesia... 

quarta-feira, outubro 19, 2011

Quintal da poesia


Ele ia tecendo as canções e colocando-as para secar no varal do tempo. Molhadas de sentimentos, ficavam para lá e para cá, ao sabor dos ventos. O vento vinha, soprava e elas cantavam. A tarde era uma sinfonia, enquanto as canções faziam sua festa no quintal da poesia. A valsa bailava, o samba requebrava e o baião rodopiava pelo terreiro inteiro. O sol era apenas uma clave, na pauta afinada do belo horizonte infindo.

terça-feira, outubro 11, 2011

Videira

Minha vida deveria

Ser como a parreira:

Um ramo da paz

No braço estendido da eternidade...

quarta-feira, setembro 21, 2011

Canteiro de ervas e flores

Os ferros pesados Prendem o corpo cansado Com pregos enferrujados pelo tempo. Vai ser difícil romper a aurora Levando este corpo torto, Em frangalhos, Com os pés descalços, Sem chinelos. Vai ser difícil conduzir este peso morto Até a eternidade. No entanto, Banho na belaidade O coração pequenino, Que nunca deixou de ser menino, Buscando apenas um trago de primavera No canteiro dos sonhos eternos.

terça-feira, setembro 06, 2011

Drummondiando I

As calçadas atentas, Espiam a rua que passa...

sexta-feira, julho 22, 2011

Van Gogh

Não cabia.

O sentimento do mundo era tanto,

Que água e pranto,

Em oceano,

Se fundiam.

Um mar de cores,

Revolto,

Insana ventania.

Que pela fresta do tempo,

Uma vida inteira,

Escorria...

quarta-feira, junho 29, 2011

Nasce na Serra do Espinhaço,

As contas de minha costela...

Mineral e ancestral,

Com o brilho do ouro

Em cheiro de macelas.

Minha história não é rompante.

É a mansidão no desejo de buscar e encontrar,

De separar e lapidar,

De dar um brilho claro

Ao que era raro

E estava esquecido,

Escondido,

Na inutilidade de ser e de existir.

Eu busco o fundo.

O que se traz por dentro,

Depois do véu do pensamento.

quarta-feira, maio 18, 2011

Coava outonos, No coador de pano. Fazia nuvens, Na água que fervia. Temperava o dia, Nas panelas vazias. Recriava o mundo Salpicando estrelas Sobre os bolos nas gamelas Com gosto de cravo e canela... Na cozinha, Inventava a vida, Amanhecia o dia, Cheio de cheiros, Sabores, doces e outras poesias...

quarta-feira, abril 06, 2011

Grande é o mar;
que faz azuis os rios do mundo...

terça-feira, fevereiro 22, 2011

O nosso maior vazio

É da orfandade,

A falta de paternidade...

Os cachorros sabem disso.

Por isso,

Entregaram à nós a sua.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

O cheiro dos bolos que minha mãe não faz mais,

Tem gosto de infância,

De um tempo perdido no coração,

Guardado na distância...

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Diamantina

Sob neblina, Meu diamante garimpado, Jóia rara Dos segredos de Minas bordados. No fundo da bateia, Da cadeia de montanhas, Bem ao pé da colina; Minha aldeia, Meu sonho lapidado...

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Gosto de pontes e horizontes... Gosto de me perder e saber que posso voltar!

sexta-feira, novembro 19, 2010

Eu sou o tempo… O tempo que não se entrega; Meio pedra, Meio perda. Em tudo engendra O tempo que não se pega, Navega... Que vem, Passa, Ameaça, E não fica.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Não era dor, Era saudade... Esse pedaço que não nos cabe, E, No entanto, Nos invade, Transbordando em nós O que vive fora. Dentro, Apenas o sentimento, Que implora, Quando a luz do dia, Quase sem poesia, Já foi-se embora...

segunda-feira, outubro 18, 2010

Mamãe ralhou comigo, Mandou guardar os brinquedos… “Encare a vida, menino, Não tenha medo”! Papai ficou calado, O tempo o havia levado. O escondeu nas fendas do pensamento, Naquelas perguntas sem respostas, Tendo uma saudade estranha das coisas que não se viu!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Como a folha Que do galho cai À sombra do tempo. Como a terra Que tudo rói Sem sentimento. Como o chá Que na xícara faz Seu banho de assento. Com a lua nova Que cansada de ser velha Iluminou a noite escura e vazia, Fazendo terna A tarde que ia... Assim, Do nada que tudo vive, Faz-se a poesia...