O mundo desabou sobre minha cabeça;
do meu corpo restou apenas o coração...
quarta-feira, novembro 19, 2008
sexta-feira, setembro 19, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
E o elevador vai
Levando a minha dor,
Aumentado a minha angustia sem nunca parar.
De andar em andar,
Só há vazio e todas as portas estão fechadas.
O caminhar é pequeno e nenhuma janela descortina o raio de sol.
O corredor é para a morte de todos os meus sonhos,
Uma triste e rotineira sina de ser abatido em plena luz do dia...
quinta-feira, julho 24, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
quarta-feira, julho 09, 2008
sexta-feira, maio 30, 2008
Nada está terminado.quarta-feira, maio 21, 2008
A grandiosidade dos gênios
A generosidade faz parte do gen dos grandes artistas imortais. Outros, menores, se perdem em suas redundâncias. Outros tantos, não estão à altura de seus talentos... Mas são artistas, deixam entalhados seus versos, suas músicas, sua arte e sua história nas páginas do tempo. Tantos anjos e arcanjos, com o pincel da eternidade, desenharam pensamentos na soleira do tempo. Estão aqui, ali e acolá, como as boas e coloridas páginas da vida. Por detrás de todos, o exemplo, a vida, aquela em que muitos se frustram e outros tantos se entregam. Van Gogh talvez seja o que mais intensamente bebeu sua arte, suas cores se exalando pelos poros, sua métrica perfeita nos ângulos tortos. Gênio, viveu sempre distante dos cegos dos sabores das cores. No entanto, desenhava-os, pintava-os com as cores do arco-íris, doando-lhes um naco de eternidade. Drummond, depois de ser vencido pelas ruas de ferro de Itabira, pintou em seus versos a cidade que não se pega, a cidade que se eleva. Agora, debaixo do coqueiro do Batistinha, aquele que não existe mais, descansa mirando o horizonte infindo sem o Pico do Cauê, que deixou no infinito o seu fantasma desolado.
Borges, que emprestou seus olhos prenhes de luz aos cegos, amargou a limitação da visão dos humanos. Diariamente, abria uma fenda no tempo e se encontrava com as maiores fábulas do universo. Em apenas um pequeno e minúsculo ponto, podia ver tudo que acontecia no mundo dos homens. Assim foi tanto, que a luz cegava-lhe a visão do imprescindível, da transcendência, da imortalidade. Fez sua escolha e deixou, em histórias, a sua glória. Agora, adormece dentro das páginas de seus livros, em todos os cantos do planeta, nas curvas da eternidade.
Como pequenos deuses, os grandes, os gênios, têm o poder de florir os campos de trigo, de converter o mais simples lírio em uma eterna e ensolarada manhã de primavera...
terça-feira, abril 01, 2008
Nos quintais dos chacais,
quarta-feira, março 12, 2008
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Laço o infinito
De tudo,
Lembro-me de bem pouco...
Só dos boizinhos
Pastando nos quintais da imaginação...
As goiabas verdes eram as vaquinhas,
As pedrinhas reluzentes;
Os bezerrinhos,
O fundo do terreiro,
Um latifúndio bem maior
Que o mundo inteiro...
Eu ali,
Colhendo mudo
A paz que até hoje me devora,
Que me consola,
A ponta da história
Que se faz sem fim
Dentro de mim.
Nas páginas da memória,
A glória;
O meninozinho que aprendeu
Que ao riscar dois círculos
Irmanando um oito no chão,
Tem o infinito.
quarta-feira, setembro 05, 2007
terça-feira, agosto 21, 2007
O que eu quero
terça-feira, agosto 14, 2007
Na atmosfera,
quarta-feira, agosto 01, 2007
Momentos
quinta-feira, julho 19, 2007
Minha amada...
terça-feira, junho 19, 2007
Há um dedilhado rebuscado
sexta-feira, junho 15, 2007
Andarei de bicicleta;
domingo, junho 03, 2007
sexta-feira, maio 18, 2007
domingo, maio 13, 2007
Fiz-me os dias leves...
segunda-feira, abril 16, 2007
Tiradentes
‘Pequenina, Tão semente’...
Tiradentes.
Guardada pela serra
De onde tudo vela São José;
O presépio dos sonhos dos homens iluminado,
Inconfidente,
Com todos os seus pecados em suas ruas deixados...
Tiradentes,
Antigamente,
Tudo era docemente inocente.
Tiradentes, Tiradentes,
Dos seus sonhos sou descendente.
Floriando...
Para Florianópolis
É todo meu amor.
Florir,
O que cá no coração
Primavera fazia.
Guardo em baú
Tudo o que vi e vivi.
Aqui bem dentro,
Toda poeira faz acento
E o tempo
Tece lembranças...
O sonho,
O pensamento,
A volta ansiosa,
Tiram um pouco
A minha paz,
Que lá,
Inteira senti.
Azul,
Como teu céu
E teu mar.
Amar!
Poesia no ar,
Festa do coração...
terça-feira, abril 03, 2007
Colhendo estrelas
Pampulha
domingo, março 18, 2007
O vale encantado...
domingo, fevereiro 11, 2007
Um novo dia
O Rio é santo...
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Estrela, estrela
Quando pintei a estrela de papel com a brasa do meu pensamento, ela achou estranha, disse que as estrelas cadentes têm um pouco mais do rosa do arco-íris. Pedi ao irmão do céu que me emprestasse um pincel para chegar ao tom que ela queria. Ficou linda, com o cheiro que as cadentes têm quando riscam o céu dos tormentos para nos dar o sentimento inesperado. Era noite, quando ela colocou como pingente a estrelinha pintada em seu peito que abriga um coração do tamanho do mundo. Toda vez que o coração dela batia, a estrelinha reluzia os seus folguedos em cores do dia, os mais belos. Ela ficou linda, trazia no peito um coração iluminado...
sábado, janeiro 27, 2007
terça-feira, janeiro 09, 2007
Canteiro de ervas e flores
Os ferros pesados
Prendem o corpo cansado
Com pregos enferrujados pelo tempo.
Vai ser difícil romper a aurora
Levando este corpo torto,
Em frangalhos,
Com os pés descalços,
Sem chinelos.
Vai ser difícil conduzir este peso morto
Até a eternidade.
No entanto,
Banho na belaidade
O coração pequenino,
Que nunca deixou de ser menino,
Buscando apenas um trago de primavera
No canteiro dos sonhos eternos.
sábado, janeiro 06, 2007
História do ano novo
O ano terminou velho, feio e cansado. Na antiga capital federal, os homens matavam, torturavam, perseguiam, numa triste e covarde inquisição civil, a barbárie nas ruas do Brasil. Eu, acompanhando a tudo de perto, pedia um ano novo, um dia novo, nascido no azul do céu debruçado sobre o grande mar dos sonhos humanos. Pedia por um dia de luz depois da mais negra, fria e triste noite. Nas ruas, as pessoas dividiam um sentimento guardado, querendo o inesperado, o belo, o louvado, o amor, a paz, as coisas de Deus. Busquei um dia novo, um pouco separado.
As praias estavam lindas, onde se ouvia as várias línguas dos povos da terra. Falamos tantas línguas e nos dizemos tão poucas palavras... Aquele dia amanhecera lindo, era o segundo que ali passava. Me pegou em cheio. Foi mágico, longo e profundo. De manhã, interrompo a caminhada para sentar ao lado da estatua do poeta-maior, bem no calçadão de Copacabana. Depois, um banho de mar para as coisas ruins do dia, o mar levar. Sigo agora leve, em busca de um ano novo e renovado.
Nas pedras do Arpoador os casais encontram o amor ensolarado sobre os corpos dourados. Em Ipanema, ao cair da tarde, o show de rock na areia, bem em frente ao palco montando, onde aguardaremos o reveillon importado. A praia é democrática e abriga várias ‘tribos’ separadas. Vejo a que toca e canta samba ao violão, a dos turistas, dos alternativos, dos vendedores e a minha; cada um ao seu modo querendo um momento de paz, um dia de luz e um ano de felicidades. Enquanto assistia ao show de rock, bem ao meu lado, um jovem toda vez que abria uma nova lata de cerveja, jogava um gole na areia e agradecia: A Ipanema, meu amor e minha vida! Depois bebia um gole profundo e demorado. Os sentimentos dos homens são sempre os mesmos com aquilo que eles amam e acham divino.
À noite, mais uma longa e prazerosa caminhada pela orla da praia. Para alimentar minha mineiridade, peço ao ambulante um milho verde cozido pela minha memória, as coisas que ainda queimam em meu coração. Dá uma saudade danada... Agora, o corpo pede repouso; a alma, apenas paz. Amanhã será o último dia do ano.
Infelizmente, ele acendeu nublado, chuvoso, pesado. No último dia o céu chorava um ano de tristezas com todas as suas dores. Seguiremos em denso nevoeiro, atravessaremos as tempestades, enfrentaremos os temporais. Tomo um último, frio e derradeiro banho de mar, depois de uma longa caminhada. O Rio ainda continua lindo... Paro para apreciar. No quiosque que toca a balada reggae de tantas alegrias em 2006, peço uma cerveja para brindar o ano que finda e fico a ver o mar que se estende à minha volta. As pessoas estão alegres e o mundo poderia ser um contínuo ano novo, um contínuo recomeçar. À noite, os fogos e os folguedos. Madruga alta, depois de todos os shows em Ipanema, encontro um inesperado lual particular onde começo o ano dançando James Brown em plena praia do Arpoador. Que maravilha, o ano começou diferente! Já é manhã quando parto. A bela amiga sugere: vamos ver o sol nascer! Com um sorriso respondo, dou-lhe um beijo e vou. O sol já havia nascido em mim. O dia foi perfeito.
No Rio de vários janeiros, busco o meu, coroado em paz, com os amigos sempre à minha volta e que a felicidade não seja neste novo ano como as ondas do mar, mas sim como a areia da praia, aquela que a cada instante uma nova onda vem e toca. E nós, deixamos nossas pegadas... Com a graça de Deus!
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Você sumiu dimadrugada!
domingo, dezembro 17, 2006
Três histórias de avós
Amigo espantalho - O ano começou de horta nova. Couve, cebola, alface, todos germinados. Alguém pensou em espantalho, palavra mágica... saímos nós pelo terreiro.
Do galho da castanheira fizemos o corpo, braço e pescoço. Do coco a sobrancelha pintada.
Vô da cozinha observava... Nos ali o dia inteiro, festeiro... nascia o espantalho.
Vô se aproximou com um chapéu furado e um palitó apertado. O espantalho feliz que só.
Ficou tão lindo que o sabiá em seu braço o canto ensaiava... depois de dias idos, descobrimos pela fresta do chapéu, um ninho de pombinha com dois ovinhos... Felicidade danada.
A vida é assim: quando tem sentimento, até o que assusta aproxima.
A mão sabedoria - O chapéu do vô a gente colocava. Falava grosso, alto, acreditando em todos mandar. Dia, vô da viagem chegou. De todos se lembrou. Na mesa da cozinha o chapeuzinho deixou. Colocamos na cabeça o presentinho, como a mão do nosso vô sobre em nós pousando e dizendo: seja criança, tudo, enquanto o tempo permitir.
Maramar - José Monteiro era português originário. Comerciante em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, lá pras bandas do estado do Rio de Janeiro, vendia sonhos e ideais no balcão da sua Casa da América. Um belo dia, sua filha Maria Helena pediu-lhe ajuda para terminar um trabalho escolar, o desenho de mar. O pai, com todos os sonhos fervilhando em sua alma, fez, junto com a filha, um grande mar, revolto, cheio de movimentos e ondas, um mar dos grandes ideais, uma obra de arte acabada. A filha, vendo o resultado final, ficou encantada. Levou orgulhosa para a avaliação da professora seu mar mineiramente bordado. Para sua surpresa, o seu mar azul em ondas obteve a menor nota; oito, frente aos 10 dos outros mares sem poesia, sem ideais. A meninazinha ficou desolada e comunicou ao pai o resultado da avaliação em prantos. José Monteiro, olhando a filhinha sem o costumeiro ar de felicidade, ponderou:
- Liga não minha filha, professoras não sabem reconhecer um mar revolto!..
































