terça-feira, novembro 14, 2006

Um passarinho menino

Ele era diferente. Conversava com o vento. Às vezes, sumia no redemoinho que se formava à sua volta. Outras, brincava com as folhas das árvores espalhadas pelo pensamento. Tempo depois, quando não conversava mais com nenhum dos seus, começou a cantar e a se empoleirar no parapeito da varanda. Dizia ser passarinho. Até que um dia pousou no fio da antena e cantou a tarde inteirinha os trinados de tudo que é passarinho. Já ditardizinha, quando o sol se escondia por detrás do infinito, ele foi voando, voando, como se quisesse beijar o girassol do sol. Ele voava um vôo leve, macio, batendo apenas os braços e mexendo com as pontas dos pés. Foi indo, indo, até sumir, no amarelo do pincel que fazia colorido o azul do céu...

2 comentários:

Júlio disse...

"O tempo é mesmo um Deus cruel..." mexeu comigo, porque ele, o bendito tempo, é sempre a ferramenta de tortura minha, que quero mais e mais, mas ele me dá pouco. E Petros soube traduzir esse sentimento, com o olhar poético que lhe é peculiar.

Júlio disse...

"O tempo é mesmo um Deus cruel..." mexeu comigo, porque ele, o bendito tempo, é sempre a ferramenta de tortura minha, que quero mais e mais, mas ele me dá pouco. E Petros soube traduzir esse sentimento, com o olhar poético que lhe é peculiar.